Os longas-metragens
"Utopia e Barbárie", de
Silvio Tendler, e
"Terra Sonâmbula", da cineasta portuguesa
Teresa Prata, foram os grandes vencedores da quarta edição do Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino, segundo o júri oficial, nas categorias de Melhor Direção e Montagem e de Melhor Filme e Roteiro, respectivamente. Idealizado pela atriz e produtora Ittala Nandi, o evento aconteceu entre os dias 5 e 11 de outubro, no Museu Oscar Niemeyer – MON, em Curitiba. Estavam concorrendo ao prêmio Araucária de Ouro 22 produções: 10 longas, sendo cinco brasileiros e cinco latinos (Argentina, Bolívia, Itália, México e Moçambique), e 12 curtas, sete nacionais e cinco espanhóis. O filme paranaense
"Brasil Santo - Retratos da Fé", de Gil Baroni e Monica Rischbieter, foi escolhido o melhor filme pelo júri popular.
O filme do diretor
Silvio Tendler,
"Utopia e Barbárie", apresenta um retrato do mundo depois da Segunda Guerra Mundial. O documentário, que demorou 19 anos para ficar pronto, teve a sua conclusão adiada muitas vezes em função de novos acontecimentos importantes na história do país e do mundo. "Foram 19 anos que valeram a pena. Estou muito feliz de ter mostrado esse filme pela primeira vez aqui em Curitiba", disse Tendler emocionado. "Esse festival tem gosto e clima dos velhos festivais. Aqui não tem tapete vermelho, mas tem cinema!", ressaltou o diretor.
Dirigida por Fernando Belens, a produção baiana
"Pau Brasil" foi contemplada em três categorias: Melhor Ator (Bertrand Duarte), Melhor Atriz Coadjuvante (Fernanda Belling e Milena Flick) e Melhor Direção de Arte (Moacyr Gramacho). Adaptado do livro homônimo de Dinorath do Valle, o filme mostra um pequeno povoado, onde as famílias de Joaquim e Nives moram lado a lado. Apesar de conviverem com a mesma estrutura perversa de opressão social, lidam com a vida de modos radicalmente diferentes. O longa de estreia dos atores Thiago Luciano e Beto Schultz,
"Um Dia de Ontem", levou o prêmio de Melhor Trilha Sonora (Monica Besser e Felipe Prazeres).
O boliviano Tonchi Antezana recebeu menção honrosa por
"Cemitério dos Elefantes", que também levou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (Fernando Peredo). O cineasta italiano
Gianni Di Gregorio foi agraciado com os prêmios Especial do Júri e Melhor Atriz (Grazia Cesarini Sforza, Marina Cacciotti, Maria Cali e Valeria De Franciscis). A produção argentina
"O Bosque", de Paulo Siciliano e Eugênio Lasserre, ganhou nas categorias Melhor Som (Eugenio Lasserre) e Melhor Fotografia (Pablo Yannielli e Pablo Alberti).
Na categoria curta-metragem, o grande vencedor da noite foi o filme espanhol "Porque Há Coisas que Nunca se Esquecem", de Lucas Figueroa. A produção levou os prêmios de Melhor Direção, Melhor Filme, Melhor Montagem e Melhor Direção de Arte. Outra produção espanhola, "Socarrat", dirigida por Juan Hernández, ganhou os prêmios de Melhor Roteiro (David Moreno) e Melhor Fotografia (Juan Hernández). O curta paranaense "Inverno", dirigido por Paulo Trejes, conquistou o prêmio de Melhor Atriz (Milena Toscano) e "Doido Lelé", filme de estreia da jornalista e cineasta baiana Ceci Alves dos Santos, foi agraciado na categoria Melhor Ator (Vinícius Nascimento).
Em sua quarta edição, o Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino apresentou 55 filmes (longas e curtas), sendo 22 produções em competição. A atriz paranaense Letícia Sabatella foi homenageada com o prêmio Dina Sfat criado esse ano e dedicado a grandes intérpretes e mulheres politicamente engajadas. A atriz recebeu o prêmio das mãos de Fernanda Montenegro, que foi convidada por Ittala Nandi para fazer uma palestra sobre a obra do cineasta carioca
Leon Hirszman, um dos fundadores do cinema novo. A atriz Fernanda Montenegro falou para mais de 150 pessoas no salão de eventos do Museu Oscar Niemeyer – MON.
Fora de competição, o evento apresentou quatros mostras: Paranaense de cinema, Leon Hirszman, Pietro Germi e Eros inteligente. No dia do encerramento, 11 de outubro, o festival exibiu o documentário "Hotxuá", que marca a estreia de Letícia Sabatella e Gringo Cardia na direção; e o filme
"Em Teu Nome", do diretor
Paulo Nascimento, vencedor de quatro Kikitos no 37º Festival de Gramado de Cinema, realizado em 2009.
Veja abaixo a relação completa de vencedores:
Prêmio Araucária de Ouro na categoria longa-metragem
Melhor Filme (R$ 80 mil) –
"Terra Sonâmbula", de
Teresa Prata
Melhor Direção (R$ 110 mil) – Silvio Tendler, por
"Utopia e Barbárie"
Melhor Ator (R$ 8 mil) – Bertrand Duarte,
"Pau Brasil"
Melhor Atriz (R$ 8 mil) –
Grazia Cesarini Sforza,
Marina Cacciotti,
Maria Calì e
Valeria De Franciscis, por
"Almoço em Agosto"
Melhor Ator Coadjuvante (R$ 5 mil) –
Fernando Peredo, por
"Cemitério dos Elefantes"
Melhor Atriz Coadjuvante (R$ 5 mil) – Fernanda Belling e Milena Flick, por
"Pau Brasil"
Melhor Roteiro (R$ 8 mil) –
Teresa Prata, por
"Terra Sonâmbula"
Melhor Fotografia (R$ 8 mil) – Pablo Alberti e Pablo Yannielli, por
"O Bosque"
Melhor Direção de Arte (R$ 8 mil) – Moacyr Gramacho, por
"Pau Brasil"
Melhor Trilha Sonora (R$ 8 mil) – Monica Besser e Felipe Prazeres, por
"Um Dia de Ontem"
Melhor Som (R$ 8 mil) - Eugenio Lasserre, por
"O Bosque"
Melhor Montagem (R$ 8 mil) - Bernardo Pimenta, por
"Utopia e Barbárie"
Vencedores do prêmio Araucária de Ouro na categoria curta-metragem
Melhor Direção (R$ 15 mil) – Lucas Figueroa, por "Porque Há Coisas que Nunca se Esquecem"
Melhor Filme (R$ 10 mil) – Lucas Figueroa, por "Porque Há Coisas que Nunca se Esquecem"
Melhor Ator (R$ 3 mil) – Vinícius Nascimento, por "Doido Lelé"
Melhor Atriz (R$ 3 mil) – Milena Toscano, por "Inverno"
Melhor Roteiro (R$ 3 mil) - David Moreno, por "Socarrat"
Melhor Fotografia (R$ 3 mil) – Juan Hernández, por "Socarrat"
Melhor Montagem (R$ 3 mil) – Lucas Figueroa, por "Porque Há Coisas que Nunca se Esquecem"
Melhor Direção de Arte (R$ 3 mil) - Lucas Figueroa, por "Porque Há Coisas que Nunca se Esquecem"